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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Conversa de botequim
domingo, 19 de dezembro de 2010
Biografia da infância
como quem escuta os pássaros recitando poesia.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Livro a vista
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tácito
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Derrame Cerebral
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Esconderijo
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Vinte e uma vezes ser
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Detalhes selados

quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Outrora

Não eram esses nossos sonhos.
Eram outros planos,
outras pessoas,
outras vidas,
éramos outros.
A poesia tinha outra rima.
Pedaços de nós
caminhavam num risco tênue
entre o que somos
e o que perdemos.
Deixamos de ser
para que pudéssemos ser-nos.
Foram cisões e fusões
que arriscavam o novo
e temiam o velho.
Suplícios de nossas palavras
berravam por outra poética.
Ao apalpar meus buracos internos
eu vejo saudades,
eu vejo o que ficou
de tudo que passou.
Me vejo outrora
com a mesma face no espelho.
domingo, 24 de outubro de 2010
Rasuras

Palavras manchadas
sentimentos engasgados
versos trêmulos
rasuras seladas.
Foi tudo aquilo que eu deixei de mim no mundo
e tudo aquilo que não coube em mim
sem contar no que eu engoli pra dentro sem mastigar,
que hoje fazem parte da minha composição mais nobre.
Intimidades rascunhadas
entre lágrimas verbais.
Eu desato meus nós
amarrando minhas gotas de poesia
nas nossas lutas a sós...
ironia.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Vestida de cicatriz

Lágrimas me arrancam o fôlego
e fazem meu pranto
explodir meu sangue estancado
pelas veias das tuas palavras.
Gota d’água transbordando a enchente
minha mágoa atravessando a ponte
e desfilando ao teu lado
no baile de sábado a noite.
Fora o furo
suplícios por cuidado ante ao corte.
Eu peço que enfeite com delicadeza minhas dores
costure cada pedaço dos meus pesares com carinho.
Sinta as medidas com a ponta da língua
meça antes de cortar.
Meu manequim tem o tamanho do teu colo.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Pedacinhos nossos

Pedaço em pétala
perfume em orvalho
buraco em lágrima
peito em cacos
amor em arrepio.
E meus pedaços perfumados de mim
fazem buracos no peito
e me deixam assim
em cacos
caçando pétalas recheadas do seu cheiro
transformando as minhas lágrimas no gosto doce desse orvalho
que me arrepia até alcançar o pedacinho de amor
que eu guardei pra você.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Acalento
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Canção

O excesso dos meus pedaços secretos por dentro
estão gravados cheios daquelas suas partes invisíveis
que me alcançam até nos suspiros molhados de prazer
em que o suor tem gosto do orvalho doce que preenche nossos espaços
é como procurar um cantinho seu onde caibam todos os meus sonhos
e avistar nos meus sorrisos algumas coisinhas de você
que eu decorei em versos de abraços.
Ir cantando flores
e pisando palavras
que unem nossos passos até encostar no cheiro do vento
vento leve e manso e breve
daqueles que arrastam delicadamente meu peito pra dentro do seu
e fazem meus olhos tocar seu sabor
por entre as pistas que a brisa deixou.
Eu encosto no seu olhar com a ponta da minha língua
e degusto seu sentimento com a ponta da minh’alma.
Faço palavras carregarem histórias
transformo em imagens essa canção solitária
pra ver se de longe alcanço bem perto
aquele seu jeito a tocar meus versos.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Amanhã ser
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Pernil longo

Carrega teu sangue como alimento vital
engole teu gosto secreto
prova o sabor venoso gravado em teu corpo
te chupa até você senti-lo em ti
provocando-te ao máximo
e então,
perde-se pelo ar
antes mesmo que possa vê-lo.
É como uma experiência de guerra
nonde as marcas ficam tatuadas à pele
e só te restam lembranças.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Inspira-dor
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Jas-mim
domingo, 1 de agosto de 2010
Tablatura

Eu queria que você me absorvesse
que você me lesse com os olhos
e cheirasse todos os meus sentimentos
ao abraçar minhas dores com os lábios.
Eu queria que você soubesse como me sentir
e que me apalpasse até nos medos
ao tocar meu pranto
no beijo silencioso das respirações.
Eu queria que quando seu olhar cruzasse o meu
você soubesse ir além do que você vê
e que pudesse traduzir minha profundidade
nas suas notas de samba.
Ás vezes eu queria tanto
viver a poesia que eu te dedico
se você pudesse me ler
por detrás das palavras.
terça-feira, 27 de julho de 2010
O necessário do amor

Às vezes eu penso
sobre o todo não necessário que envolve o amor
e me derreto em lágrimas
só de olhar meus pensamentos
antes mesmo de experimentar ouvi-los.
É como se houvesse
uma busca interna para se banhar em ácido corrosivo
e destruir aquilo que te faz bem
por simples acesso à realidade instantânea e passageira
que antes até de se concretizar na existência
já se faz irreal e desnecessária.
É como olhar para si
tomado por um sentimento de não-sentimento por si
onde enquanto não destruir as próprias pilastras
e acertar no centro da sua dor
não se desiste de esquartejar-se minuciosamente.
Às vezes eu resolvo fechar os olhos para tudo isso
afastar de mim essa indelicadeza comigo
para que eu possa escutar o significado
de cada parte minha dentro de mim
ao invés de ouvir palavras e fatos por si só
que carregam de não-verdades as nossas quase-verdades.
É desacreditar no mundo
para acessar minha realidade inventada
e acreditar no meu jeito de ser a minha essência
até enxergar que meu vínculo comigo é o meu único essencial.
O necessário do amor
é só aquilo que continua a significar
mesmo quando não há sentido lógico;
é a porção livre de racionalizações e entendimentos
é só a pequena parcela que continua a sentir inteiramente
até o que a gente tentou destruir.
As vezes é preciso inspirar-se
até chegar nos seus poros internos
que exalam sozinhos
o perfume dos seus sentimentos.
O delicado do amor
é conseguir chegar onde só o necessário existe
para que esse axioma seja o ponto vital
nonde fundamental é sentir-se
antes mesmo de entender-se.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Nódulo

Meu pior momento em mim.
Tudo aquilo que eu não consigo falar
atormenta meu vômito entalado
e me sufoca as partes mais íntimas
garganta abaixo
mesmo quando minha mão
não consegue soltar a sua.
Seu rosto em cacos quebrados
revelam o nó preso por dentro
que eu não consigo apalpar
nem mesmo com as lágrimas escondidas.
Tentativas falhas de ignorar e esquecer
os nódulos sangrentos
que levam até as artérias um plasma amargo
misturando nossas essências e cheiros
e acorrentando-os à corpos estranhos.
Meu olhar agora enxerga tudo embaçado
e as cores se mostram embriagadas
de outro sabor suado
enquanto eu tento te re-experimentar
procurando bravamente aquele gosto
que escorre por entre meus dedos abertos.
É como colocar para dentro
sem digerir
e esperar que em algum momento
o nódulo desapareça
sem deixar marcas.
É como juntar as peças
e criar imagens doces
que mesmo sem se encaixar
me fazem sorrir
e me fazem apertar seu peito contra o meu
mesmo que haja dor.
Doce ilusão
chorar junto
para não chorar sozinho.
Eu carrego em mim o peso
de cada gota desse orvalho seco
e busco em meio ao pranto
tua face para me acalmar
como era antes em algum momento de nós.
Quando nossos olhos se cruzam eu me pergunto:
- cadê aquelas mentiras que ainda são as minhas verdades?
E sempre serão.
- em que parte de tudo isso, não era exatamente isso?
E somente isso.
Eu tento escrever de novo
versos já escritos.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Mais que isso

É mais que dor.
É como se fosse aquela pontinha te alfinetando
com a ponta das lágrimas
enquanto a acidez escorre por poros quase secretos
que mesmo depois da tempestade dos olhos
continuam doces com uma pitada de afeto e medo.
Algumas fincadas alcançam no pedaço central
do desastre interno
que desmorona labirintos esquemáticos
escondidos pela memória cardíaca a fora.
Há beleza por traz da dor.
Resta algo discreto de nós em nós mesmos
que transformam cicatrizes sangrentas
em tatuagens secas disfarçadas de desenhos interrompidos
revelados em uma história para além dessa dor
e muito além das palavras.
É como um nó
berrado no silêncio de uma garganta inflamada
sangrando puro pus coberto de amor.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Taça de sangue

Medo.
Asco.
Dor.
Tudo junto em uma dose única
de despedaçamento interno
nonde nem mesmo a delicadeza restou.
O nó na garganta
e o corpo se retorcendo
ao partir em mil pedaços
tudo aquilo que fora sólido
e que agora escorre entre lágrimas e vômitos de sangue.
Sobram ainda as cenas dos filmes sombrios
passando pela minha cabeça
e aterrorizando meu pulso acelerado
enquanto o veneno dessa dor goteja por entre minhas artérias.
É que simplesmente não há espaço na razão
que engula essa taça nojenta
sem antes expelir meu pranto
em meio à esses pedaços trêmulos de mim.
domingo, 4 de julho de 2010
Ver-sós

Com meu avesso ao inverso
atravesso versos certos
e me meço a metros de mim
nalgum abismo interno em que tropeço
tentando alcançar o encaixe discreto
que embaça meu ser imerso.
Entre chamas e lágrimas
lanço meu toque no ar
sentindo a lua com o olhar
até extrair beleza da paisagem
que vejo no desenho da minha imagem
rabiscada de neblina perfumada.
Fora de mim encontro
meu avesso ao inverso nesses versos.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Um pouco do pedaço

Eu queria me rasgar em versos
até alcançar aquelas partes mansas
onde mora meu encanto por você
e fazer disso mil cápsulas de palavras com nosso sabor.
Eu queria respirar a paz que sai dos seus pulmões
e alcança o meu
até não existir mais espaço em mim.
É como se suas mãos
transformassem o meu corpo
e como se seu toque
transformasse o meu sorriso.
Existem pedaços secretos
que só os lábios entendem
só os corpos decifram
só os olhares revelam.
Um pouco de tudo é quase nada
e tudo aquilo ao mesmo tempo
que a saudade esconde e explode em lágrimas.
Foi superando nossas próprias dores
que encontramos nosso gosto íntimo
na medida exata do pedaço que faltava
e da falta que passava.
Antes de nós
e depois de nós
só nós nos sabemos em versos
em palavras
em gestos
olhares
sorrisos-lágrimas.
Encostamo-nos ao abismo rítmico que nos enlaça
e não nos deixa a sós
só o peito aberto concretiza nossas verdades sonhadas
ao som do bolero doce que extrai orgasmos do nosso sangue em chamas.
Eu queria rabiscar-me aqui
até alcançar-te aí
e fazer de nós
um pouco do pedaço de cada parte dessas palavras.
Foi sendo assim, que foi tudo isso.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ésse
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Sal e só com saudade

Teu olhar revela o brilho
que ilumina os espaços escuros
quase inexplorados pelo qual caminhas
com teus passos firmes e mansos e breves
que posso ouvir de longe
ao escutar-te em silêncio.
Tão parecidos
que quase não nos reconhecemos nos espelhos embaçados de poesias
e assim tocamo-nos simultaneamente
antes mesmo de destrocar as pernas embaraçadas
que estremecem quando o vejo surgir
trazendo um naco de mim em teu peito.
Devolvemo-nos a nós mesmos a cada encontro
como quem encontra teu eu
naquele pedaço de ti guardado no outro
que escondemos entre feridas expostas
sangrando saudade pelos poros já entupidos.
E assim peço-te suavemente:
- deixes que meu pranto conforte tua alma
e que minhas invenções poéticas afaguem teu rosto
enquanto eu não puder alcançar-te com minhas mãos.
Amo-te de longe
como quem dorme ao teu lado em cada noite fria
e acorda em teus braços
com o calor do teu corpo a aquecer-me
é como se sempre houvesse teu carinho em mim
e como se eu sempre estivesse no canto de cada uma das tuas manhãs.
Fazemos da distância a nossa proximidade maior
pois apenas nós nos consolamos e nos abrigamos
pelos buracos cravados no peito
sangrando dor em gotas de desejo.
Resistimos a cada domingo
aos nossos próprios sonhos inventados
até modelarmos nossas dores e carícias
que nos partem ao meio
e nos despedaçam até mesmo as lágrimas.
Em nossos planos mirabolantes
cabem ainda toda a beleza do mundo
revelada a cada riso teu
que aquece minh’alma
e me entorpece com teu encanto até nos abandonos.
Quero tocar-te
sem tempo marcado
e deixar que a leveza do teu sono
acalme minhas noites
e abrigue meus suspiros serenos
durante o tempo que tua mão segurar a minha.
Enquanto houver saudade e sentimento
continuarei a escrever-te.
Entrego-te meus olhos
para que possas ler este verso em sonho.