
Sofro uma espécie de explosão para dentro de mim
que me abre os caminhos inexplorados
e me avança aquelas partes escuras
quase sem passos marcados.
Me abro com a faca
até sair nas vísceras alguma coisa nítida
com sabor de coisa inteira.
Sofro uma espécie de alargamento interno
que me exprime os pedaços mais grossos
por buracos molhados do olho.
E aquela saudade das coisas que não foram
aparece pulando no peito
mais que sapo pulando na terra.
Sofro uma espécie iluminação poética
que me encanta até nos abandonos
onde os silêncios se sustentam com palavras.
Podia ter pedaços de flor
no colorido preto e branco da nostalgia.
Podia ter expressões de orvalho
no canto doce do meu choro.
Sofro uma espécie de estreitamento
que me comprime até eu chegar onde estou
e de repente rabisca na imaginação
tudo que eu inventei pra me conhecer.