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domingo, 28 de junho de 2009
Cochilo de domingo

segunda-feira, 22 de junho de 2009
Pau nosso de cada dia

Aos vagabundos cafajestes
Que nos divertem majestosamente
Na madrugada eterna
Com o calor interno.
A todos os filhos da puta
Que com a indiferença fria
E morna
Nos aquecem como ninguém antes o fez.
Aos de pau grande
E disposição sagaz
Que fazem de nós as damas da noite
Com pernas abertas e peito bem fechado
Aqueles que nos fazem esquecer a dor
E sentir somente o prazer.
Prazer doce e perigoso
Suspiros frios, calafrio.
Vamos brindar
Uma, duas, três vezes
E mais algumas, tantas.
Acende o cigarro, descansa do gozo.
Abre a janela na manha seguinte.
A falta de memória, com requinte.
O uísque ainda nos copos espalhados
O silêncio permanece calado.
A sensação de satisfação:
Hipócrita, instantânea.
Não, o problema não foi seu pau, nem seu desempenho, querido.
O problema está comigo.
Eu exijo mais que isso.
Eu quero o prazer completo
Quero abrir o peito junto com as pernas
E te mostrar meu gosto de forma sincera.
Nota: A tão doce menina dos olhos depois do ultimo texto decidiu beber novamente a dose toda de uísque, acendeu o cigarro, deixou nele a marca de sua boca com batom cor de sangue e finalmente vomitou com alguma morbeza romântica essas palavras.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Sobre o prazer

Agora eu vou falar da carne,
do desejo, do tesão, da fantasia
e de toda minha malícia.
Vou falar de cada amasso,
cada laço, cada mormaço,
nesse nosso embaraço.
Vou lembrar-me daquele arrepio,
daquele delírio,
mas principalmente daquele suspiro frio.
Demorar-me no que faz do silêncio algo que não é mudez.
Na qual os corpos são bem mais que a nudez.
Junto ao sexo e ao álcool, prazeres sagazes e ferozes,
cito também aqueles outros pequenos prazeres vagabundos,
que fazem dos poetas experimentadores do mundo.
Na queima de energias eterna,
a explosão interna,
que me enrosca a sua perna.
Depois do botequim,
eu me jogo em frente ao seu tamborim
e te devoro até o fim.
E tudo o que me resta
é seu toque e seu calor nesse fim de festa,
só, e somente isso me interessa.
No espelho do banheiro eu repito pra mim mesma:
nos dias em que a física sobrepõe-se a metafísica, é melhor deixar a alma em casa e sair com a roupa do corpo.
Nota: é que ela, a menina dos olhos sempre tão delicada e meiga, acordou hoje como uma puta amanhecida cheia de classe, sem nenhum traço doce.
Não demorou muito passou seu batom vermelho, bebeu a dose toda de uísque, e depois escreveu essa merda que vc leu!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Retalhos

Deixe-me aqui.
Sentada nessa praça onde não mais te vejo.
Com as lembranças mais doces ainda presentes.
Em meio a sua ausência fria.
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Deixe-me assim.
Guardando ainda o cheiro do mar e o gosto do vento,
entre a sua cor e o seu jeito, com suas as carícias eternas.
Como aquela que coleciona retalhos de si.
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Deixe-me agora.
Vomite para fora toda a sua dor,
rasgando as fotos e queimando o passado
Que ainda não passou.
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Deixe-me aqui.
No mesmo banco de concreto
Que você esmurrou, mas não quebrou.
Com o mesmo carinho no sorriso que você provou.
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Deixe-me assim.
Com a delicadeza de quem aprendeu muito, meu bem.
Entre os tapas mais belos, o degustar singelo,
que nos ensina a escolher dentre todos os retalhos, aquele com gosto de caramelo.
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Deixe-me agora.
Leve consigo seu orgulho ferido.
Invente suas mentiras e se engane muito pra tentar me arrancar de você de uma só vez.
Só se lembre que eu guardo comigo os retalhos coloridos, e essa longa embriaguez.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Aquela que ninguém viu

Remexe a cintura.
Procura algum pedaço de si
Jogado na lama do chão.
Ela olha pra frente,
Vira de lado.
Pisca os olhos,
Tentando tirar o cisco que caiu no seu coração.
Ela mima, cativa
Sai distribuindo carinho
Tentando saber qual o caminho
Que a leva mais perto daquilo que a fez perder-se de si.
Ela brinca, exagera
Encara o mundo como criança
E se cansa dessa tola ignorância
Da forma mais sincera e bela.
Ela rodopia, se arrepia.
Procura em seus pensamentos
O sentido da correria do vento.
Vai-se indo pela rodovia.
Foi-se,
Perdeu-se.
Não se viu entrar nem sair de cena.
Ela é aquela que ninguém viu.
domingo, 14 de junho de 2009
A cor dentro do corpo

As cores mais quentes e mais atraentes.
Cada som tão carregado de si que carrega o mundo para dentro de mim.
O fluxo veloz e alheio que me transforma em espectador do mundo.
A atenção focada em tudo,
a cada parte da cidade.
O coração pulsando cada gota de mim de forma gritante para que
finalmente eu de fora me escute em silencio por dentro.
Pulsação em ritmo de samba-groove que acelera meu desejo de engolir o mundo.
Como a antena que capta cada mínimo sinal,
eu me sintonizo com a vida.
Sem entender a velocidade externa eu por dentro me apresso com minha
pressa em sentir tudo até o fim.
No desejo de ousar e experimentar ser-se como nunca se foi de um jeito ferozmente vivo.
Na ânsia pela emoção e por cada sensação que mesmo pequenas se tornam fortes e penetram dentro do vazio do coração.
É nesse ritmo da vida,
nesse embalo do mundo,
sentindo todos os sinais tão intensamente,
internamente.
Enxergando as cores com a alma é que eu começo a perder o controle de mim.
Como se não aceitasse deixar o mundo entrar pelos pulmões e me invadir assim.
Só eu tenho esse direito aqui.
Sim.sábado, 6 de junho de 2009
Me sobra delicadeza

Você precisa mendigar algum pouco de amor pelas noites geladas ou em qualquer colo sozinho, para só então se amar, meu bem.
O meu jeito de lidar com o fim do amor é outro. Eu preservo um tanto seu em mim.
Sem esmola por ora.
Deixei o porta retrato ainda intacto.
Junto ao medo de mexer em algo que ao ser guardado no fundo de algum canto, ali permanecerá.
As trilhas diferentes revelam um silêncio interno perturbante, intrigante.
E a poesia não tem magia.
Só agonia.
Minhas escolhas, meu caminho…
Só meu.
Direção contrária ao seu.
Como a poetisa e o plebeu.
No meu ritmo o som é experimentalmente denso, intenso.
Nas madrugadas afora vejo que me sinto inteira dentro do eu que sou agora.
Perto de tudo que sou e daquilo que jamais fui antes de começar a ser.
Olho pro buraco que fizeste em mim.
Ainda assim, com delicadeza vejo a beleza de sentir a dor pura pelo valor da experiência.
Reverências!
Eu harmonizo as mais diversas energias que provocas em mim.
Exploro-as sem fim.
Tim-tim.
Nos eternos brindes noturnos sinto minha liberdade em um grito mudo de alívio.
Preço alto, noite longa.
O mundo volta a fazer barulho.
A novidade mostra o futuro.
Eu me orgulho.
Com orgulho duro no escuro.
Quanto ao escudo?
Digo que permaneces tatuado em mim.
Mas que eu bebi de ti todos os goles até o fim.
Segredo meu dentro do camarim.
Eu guardo a doçura de cada ternura.
Tentei de uma forma madura,
em meio aos seus gritos de loucura.
E fúria.
Na fortaleza de um, a fraqueza do outro.
Peço-te franqueza. Vou-me à francesa.
Me visto com o vestido de menina boneca desprotegida e ferida.
Guardo o espartilho e a cinta liga de mulher decidida.
Meu equilíbrio externo ofuscando a desordem interna.
Lobos se atacando em noite de lua cheia.
Por que tanta delicadeza pra falar de sentimento?
Pra que tanto sentimento sem delicadeza?
O furo que deixaste aqui dentro é do tamanho que necessitas para partir.
Vitória minha em sentir.
Ou não.
Vá então!
Do lado de fora tenho a certeza de dentro que eu beberia cada gota dessa dose amarga de novo.
Do mesmo jeito no meu peito.
Erraria cada erro que errei.
Deixaria doer toda a dor que dói.
Só para sentir outra vez tudo o que há dentro de mim como senti.
Fico aqui, sensível a cada sentimento meu.
Experimentei-me de todas as formas, por completo.
Confesso,
por vezes sem delicadeza alguma.
Eu me amassei nos seus rascunhos ainda dobrados.
Guardo comigo, com carinho cada palavra das cartas rasgadas.
Dispenso personificações.
E te expulso dos meus pulsos, por impulso.
Já que me sobra delicadeza.quarta-feira, 3 de junho de 2009
Livre Sem Dosagem

Eu não posso falar da beleza com clareza.
Entre tudo de lindo experimentado e explorado houveram intensos e imensos sentimentos alcançados.
No contato com limites internos e externos desenhamos o mundo de forma menos imaginária.
Ou mais…
Ápice de emoções puras e escuras que revelam a fragilidade das coisas sólidas e leves.
Entre a linha tênue que separa a felicidade do medo, ousávamos o novo.
Em algum momento o sonhou de novidade mansa se foi.
Acabou-se.
Não se esperava ainda o pesadelo.
Nem tanto a realidade crua, nua.
Nos desenhos animados se definem melhor heróis e vilões.
As figuras reais se confundem, nisso me confundem.
Seres confusos como nós, hipócritas. Eu e você, meu bem.
Entre o controle e o desespero aquela cena fixa que ainda palpita fundo.
Mãos na cabeça,
olhares perdidos
e o peito pulsando a dor que doía tudo que enterramos dentro do vazio oco de nós.
Cérebro que vomitava os pensamentos de todos os seres perdidos.
Enquanto a pulsação acelerada mostrou a vivacidade daquela cidade.
E no desequilíbrio do corpo encontrou-se o peso da alma escondido na matéria grossa e frágil.
Não menos suja.
A pressão alta explodia em surto a magia e a beleza.
Agora sim, com clareza.
Clareza essa que só nós é que trouxemos
no bolso da frente do músculo estriado cardíaco.
Já é noite, estamos de volta na escuridão.