
Às vezes eu penso
sobre o todo não necessário que envolve o amor
e me derreto em lágrimas
só de olhar meus pensamentos
antes mesmo de experimentar ouvi-los.
É como se houvesse
uma busca interna para se banhar em ácido corrosivo
e destruir aquilo que te faz bem
por simples acesso à realidade instantânea e passageira
que antes até de se concretizar na existência
já se faz irreal e desnecessária.
É como olhar para si
tomado por um sentimento de não-sentimento por si
onde enquanto não destruir as próprias pilastras
e acertar no centro da sua dor
não se desiste de esquartejar-se minuciosamente.
Às vezes eu resolvo fechar os olhos para tudo isso
afastar de mim essa indelicadeza comigo
para que eu possa escutar o significado
de cada parte minha dentro de mim
ao invés de ouvir palavras e fatos por si só
que carregam de não-verdades as nossas quase-verdades.
É desacreditar no mundo
para acessar minha realidade inventada
e acreditar no meu jeito de ser a minha essência
até enxergar que meu vínculo comigo é o meu único essencial.
O necessário do amor
é só aquilo que continua a significar
mesmo quando não há sentido lógico;
é a porção livre de racionalizações e entendimentos
é só a pequena parcela que continua a sentir inteiramente
até o que a gente tentou destruir.
As vezes é preciso inspirar-se
até chegar nos seus poros internos
que exalam sozinhos
o perfume dos seus sentimentos.
O delicado do amor
é conseguir chegar onde só o necessário existe
para que esse axioma seja o ponto vital
nonde fundamental é sentir-se
antes mesmo de entender-se.