
Antes do entardecer
Não mais contarei o segredo daquele silêncio
Irei combinar nossos versos
Degustando seu cheiro em minhas palavras
Prever-te em meu rebojo
Gritar, provocando-lhe.
Apóstrofe à poesia.
Soube achar que não mais valia pena parar essa dança
Audaciosa, me ensinou passos internos e eternos.
Sua couraça que sensivelmente me fazia farejar sintonia
Pairou ideias que se perderam em multidões que carrega dentro de si.
O fogo rasgado de suas palavras me sussurrava
Intensamente?
Sim.
E só seu peito concretiza essa verdade. Somente só.
Na intensidade que explode a menina dos olhos
Couberam-me livros e dicionários de entendimento imediato
Em louca arritmia que banalizava a moral
Socorrida em verdadeiras conversas embriagadas
Morando o riso. O risco. Aliso. Belisco. Enrosco.
A boneca do abraço leve
Num sorriso
Apenas,
Acaçapava-me.
E só uma filha da puta sabe dar tanto quanto dizer
Vá se fuder!
Portanto,
Faremos da madrugada o gesto intimo da cantoria
Tragar tudo que seja vida
Beber tudo que seja prazer
Comer metades certas de pedaços inteiros
Daquilo tudo que considero errado.
E não serei o garoto parnasiano
Prefiro ser pachola
O Malandro da cidade média
A bisca safada que descontrola o equilíbrio
O irmão do tesão, da bossa nova e das agonias.
O leito do silêncio e da fala que acarinha seu mimo
Quantas vezes te couber no céu.
Cabe até sua estrela tagarela
Cabe seu peito acelerado
Cabem suas mãos e pés frios
O tecido pulsante utilizado no quadro colorido de uma homenagem.
Perdeu-se novamente no silêncio deste segredo?
Não mais secreto…
Por opção,
Talvez…
A chance de ouvir seu grito me faz achar
Que chegou a hora de encerrar a composição deste diálogo
E deduzir que minhas lágrimas,
Forjou palavras para o indescritível
Andou dizendo que a vaca branca do cabelo oleoso
Mirou o sorriso meigo na direção do homem pedra…
Logo logo sua distração se concentrou
E ele,
No caso eu, se derreteu.