
Não eram esses nossos sonhos.
Eram outros planos,
outras pessoas,
outras vidas,
éramos outros.
A poesia tinha outra rima.
Pedaços de nós
caminhavam num risco tênue
entre o que somos
e o que perdemos.
Deixamos de ser
para que pudéssemos ser-nos.
Foram cisões e fusões
que arriscavam o novo
e temiam o velho.
Suplícios de nossas palavras
berravam por outra poética.
Ao apalpar meus buracos internos
eu vejo saudades,
eu vejo o que ficou
de tudo que passou.
Me vejo outrora
com a mesma face no espelho.