
Eu queria me rasgar em versos
até alcançar aquelas partes mansas
onde mora meu encanto por você
e fazer disso mil cápsulas de palavras com nosso sabor.
Eu queria respirar a paz que sai dos seus pulmões
e alcança o meu
até não existir mais espaço em mim.
É como se suas mãos
transformassem o meu corpo
e como se seu toque
transformasse o meu sorriso.
Existem pedaços secretos
que só os lábios entendem
só os corpos decifram
só os olhares revelam.
Um pouco de tudo é quase nada
e tudo aquilo ao mesmo tempo
que a saudade esconde e explode em lágrimas.
Foi superando nossas próprias dores
que encontramos nosso gosto íntimo
na medida exata do pedaço que faltava
e da falta que passava.
Antes de nós
e depois de nós
só nós nos sabemos em versos
em palavras
em gestos
olhares
sorrisos-lágrimas.
Encostamo-nos ao abismo rítmico que nos enlaça
e não nos deixa a sós
só o peito aberto concretiza nossas verdades sonhadas
ao som do bolero doce que extrai orgasmos do nosso sangue em chamas.
Eu queria rabiscar-me aqui
até alcançar-te aí
e fazer de nós
um pouco do pedaço de cada parte dessas palavras.
Foi sendo assim, que foi tudo isso.