
O excesso extremo de restos
de partes que não se encaixam
se negam,
se destroem.
Da minha inteira confusão caduca
confessada em sussurros embriagados
pelo desejo de ser algo completo
que não se é
nem não foi.
É como se faltasse alguma coisa,
alguma peça
que sempre faltou.
Como se o buraco fizesse parte
de uma parte de mim
e essa parte vazia
também é ser um ser pleno
preenchido por vazios ocos
que fazem do não-ser
o ser volátil que sou.
Palavras que tentam explicar
o que não é passível de explicação
é como se faltasse significado
nas minhas significações
como se de repente
tudo que se nega
se contradiz
se desfaz
fossem o próprio sentido de ser.
Como em um quebra cabeça
onde somente as partes que não se encaixam
é que se completam.