
Eu procuro algo prático e esteticamente estratégico para falar do sentimento enérgico e não menos elétrico e histérico que carrego comigo.
Procuro algo que me desequilibre e que nesse deslize eu eternize a minha vertigem.
Que no compasso desse inchaço, cansaço… desse mormaço já escasso no fim do laço entre o maço, que nenhuma fumaça abafe isso que extravaza entre as palavras.
Primeiro combustível, depois fogo. Hoje eu quero que queime, arda a dor estraçalhada, esmiuçada, estragada, extraviada, rasgada.
Deixe que invada.
Pegue a faca e agora cutuque, primeiro de leve depois com toda a força possível, passível. Faça estrago, buraco.
Quero que sangre o sangue talhado, o coágulo, o nódulo e o resto de mim.
Quero vomitar o cisto. Jogar para fora o câncer. Tossir tudo que engasga. Gritar tudo o que abafa. Transpirar o que absorvo.
Desse jeito cortante, marcante, macabro. Pacato.
Deixe corroer como ácido em carne viva.
Agora já mais leve, mais limpa.
Sei e posso dizer então que sinto.
Tudo isso porque ontem eu acordei oca e vazia de mim, como em dias normais.
A partir de hoje é assim.