
Era como descer um degrau
um à um
e observar aos poucos
quase mudo
a diferença entre cada um deles
como se isso fosse mesmo
de alguma forma importante
mas não era
nem antes
nem agora,
nada importa.
Nem tanto.
Era como se o tempo mentisse
nos enganasse
como goles eternos
em madrugadas vazias.
Como se o vento remetesse a tudo aquilo
que não remete
nem remetera
jamais.
Era como não é
como ainda não foi
nem mesmo será.
Os degraus
passam por nós
e nos deixam aqui
assim
aos poucos
e vagarosamente
nós passamos eles
aos pássaros
e passos
espaços.