
Entre o consciente e o inconsciente, aquele sopro elouquente que te faz gente, e só você sente. Sopro tão de repente que cala o consciente, abafa seu conteúdo mudo, miúdo, e agora, você chora.
Derrama no fluxo veloz do mundo em movimento, sem tempo, um outro tempo que vem de dentro, e esse não passa, não há movimento. Você senta e pensa, e entre o consciente e o incosciente se faz gente, e nisso mente. Por dentro é tudo quente, fervente. Por fora, ora, você chora.
Por dentro uma máquina humana. Ainda lá dentro, algo que não é, nem nunca será, uma máquina. Por fora, tudo desumano. Por dentro, tantos ‘eus’ que não podem ser apenas um. Por fora, algo mutante a cada instante.
Entre opostos e semelhantes há apenas a igualdade desigual que faz do norte algo tão desnorteado.
Entre o cérebro e o pensamento tudo aquilo que te lança no mundo de forma ímpar, aquilo que te faz humano, como jamais poderia ser, se não assim sendo.
Entre a dúvida e a certeza, o soluço e o suspiro.
Entre a razão e a emoção, a lógica e o sentimento.
Entre o corpo e a alma, eu e você.
Entre essa loucura sã e essa lucidez insana, o nosso silêncio.